terça-feira, abril 04, 2006

AfterDeathBlue

Ao amanhecer tudo se descolou das paredes. Ele sabia que a festa acabara...desespero. Tremenda razão, ele ainda estava no apice ludico de um anfetaminado acido.
Gritava e debochava somente para os muros que o cercava, dizendo que não havia no mundo a mais perfeita e gélida prisão do que o seu proprio corpo.
Ele e a temível prole do rei Minos ocupando o mesmo espaço, os becos e esquinas laberinsticas do seu interior.
Não havia duvidas. Matar era preciso.
Ao sertão, os seus cangaceiros....

....e ele se despede com um arido movimento labial.Click


ThIagO D.

sábado, março 18, 2006

Enfim a revolução.

Após o estrangulamento seu espanto foi do tamanho de seu sorriso momentâneo. Enorme.

A vitima era um potencial profeta, assim como todos os outros que surgiam dos becos.

Profetas eram uma questão de segurança nacional agora. Segundo autoridades locais, os chamados “profetistas”, disseminavam o terror e a subversão através de sua pregação fervorosa. Seguiu-se a ordem inicialmente de clausura para esses terroristas verbais.

Ironicamente todos os detidos com seu alto poder de persuasão facilmente conseguiam escapar e agregar mais fieis com aqueles que na jaula compartilhavam espaço.

Seguiu-se outra ordem: Clausura e mutilação das linguas dos clausurados por tal crime. O crime da fala.

Estes por sua vez, ainda possuíam a escrita. E como anteriormente, a fuga e a revolta popular fervorosa aumentavam.

Por fim a ordem da pena de morte seja lá de que maneira for. Morte.

Gregório tinha apenas 12 anos quando foi testemunha da execução de seu pai “profetista” por um cadete oficial.

Seu pai e o milico se entrelaçaram no chão, aos gritos de “você podia ter feito isso comigo Cesário!”. Ao que parece os dois já se conheciam, mas isso não evitou a morte por estrangulamento do patriarca Cesário.

Agora o pobre Gregório foi detido por esse oficial sem nome. Um oficial em prantos pelo o que acabou de fazer, mas ainda assim um oficial que esbravejava com o menino “você será diferente! Você será um perfeito civil rapaz, não como o imundo de seu pai!”...em um grito e outro ele soluçava demasiadamente. E o garoto só escutava sem uma lagrima só por seu velho. Ele odiava o pai. Depois de inúmeras noites de maus tratos desferidos por seu santo pai, seria compreensível seu atual sentimento.

São tempos duros. O mais novo órfão foi jogado em um reformatório publico para aprender a ser um verdadeiro cidadão. “Esquecer” era a inscrição que delimitava o mundo e o governo na porta de entrada da prisão juvenil.

Sr. Felix. Doutrinador-interdiciplinar.

Segundo aquele lugar, Sr. Felix agora era sua única verdade sobre convívio social sob os olhos da lei.

Dia após dia. Manhã após manhã. Gregório escutava todo o discurso civil-autoritário-em-pró-da-liberdade do Sr. Felix, que inclusive o fazia lembrar muito o discurso fervoroso-de-salvação-subversiva de seu finado pai. Um quer dar uma ordem para sua vida. O outro quer dar a salvação estabelecendo uma outra ordem para sua vida.

Apesar de completar 13 agora, Gregório desfrutava de uma imaginação bem aventureira. Ele preferia os infanto-devaneios a o reacionarismo ou a revolução popular-religiosa. Não conseguia encontrar o ponto que diferenciaria os dois lados. Por exemplo: Sr. Felix o batia constantemente por sua falta de comprometimento civil. O patriarca defunto Cesário também o batia, quando vivo, justamente pela sua falta de comprometimento com a “causa-maior”.

“O que aquilo tudo significava?”, pensava enquanto descansava sua mão altamente inchada de tanto tapas ligeiros que recebia durante o dia inteiro por chamarem a sua atenção.

isso irá continuar...sempre


THiaGo D.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Hã....um pouco mais?

  • "O cinema é o modo mais direto de entrar em competição com Deus".
  • "A vida é uma combinação de magia e espaguete".
  • "O artista é sempre um provinciano. Ele vive entre um mundo tangível e um intangível - essas são as fronteiras da sua província".
  • "Se quisermos compreender alguma coisa, precisamos nos dedicar ao silêncio".
Digo pelo não dito. Insanidade como objeto de adorno....um vibrador do cortex.

FELLINI compreende.

Te recomendo (ponto)


Fellini 8 1/2

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Entre 67 tubarões.



Havia um telefone com secretária eletrônica. Hunter raramente atendia a uma chamada pelo fone. Escutava alguns segundos de sua mensagem de voz padrão, via quem era e o que queria. Achando interessante, acionava o viva voz. Não se importava em compartilhar a conversa com quem estivesse em volta. A poucos metros dali, uma TV de tela grande posicionada defronte a um sofá. Permanecia ligada, no mudo, nos noticiários da CNN. Eventualmente, sintonizada numa partida dos Broncos, num jogo qualquer da NFL, a liga de futebol americano, ou da NBA, a liga de basquete.

Em seus últimos dias, andava calado, irritado com uma operação no quadril, uma fratura na perna, e um tanto taciturno – sinônimo, desde que Freud inventou a cabeça oca, de gente que anda pensando demais. E pensando demais em quê? Sem o futebol, aos 67, pouco depois das 17
h30 do dia 20 de fevereiro, duas semanas depois do Super Bowl, enquanto seu filho, a nora e seu neto estavam num cômodo contíguo à cozinha, Hunter Stockton Thompson, filho de vendedor de seguros Jack Robert Thompson e da dona de casa Virginia, aboletou-se no sofá, defronte à TV, e telefonou à mulher, que se exercitava numa academia de ginástica. Andavam às turras com algumas idéias de Hunter em relação ao que o crítico H. L. Mencken definia como “métodos de produzir o êxodo pessoal”. Combinou que, quando Anita retornasse, o ajudaria a resolver problemas com a coluna que ele devia ao site da ESPN. Antes de desligar, às 17:42h, pediu licença, deixou o fone ao lado do aparelho, e disparou na cabeça um tiro de revólver calibre. 45. Anita ouviu o clique.
E, no instante seguinte, ele cessou o ato de pensar.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Rir desde já.
Sangrar desde já.
Rir de meu sangue mais do que nunca pois ele escorre.

.
.
.
Eu sou seus ouvidos.
Enquanto aos olhos...nos meus...
Nos seus pensamentos eu não sou nem Vênus nem Marte.
Em um de meus olhos você encontrará a profunda tristeza.


No outro a mais avida esperança.
















P(ergunta)S: "Quem sou eu?"

Não, você errou.....novamente.....Quem sou eu?

Noticia...

O cliente tem sempre a razão:

http://noticias.terra.com.br/popular/interna/0,,OI886838-EI1141,00.html

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Budha X Tyler

Juro!
Não é montagem.
Explicarei: Imagine uma refilmagem do Clube da Luta (Fight Club, 1999)...
Agora que essa refilmagem é na verdade um musical!

Hollywood não presta, é o que acabou de pensar não é?
Calma com as conclusões space monkey!
Essa refilmagem não será produzida por Hollywood, e passa longe de lá se você quer saber...

Fight Club Members Only será produzido pela industria cinematografica 'Indiana'!!!!
Isso mesmo.....Clube da Luta como um musical da India.

http://www.fightclubmembers.com/flash.html


Esse é o link oficial do filme onde existe até alguns trailers.

sábado, fevereiro 11, 2006

Um pulso, um gole.

Conveniência?
Eu acho que não.
Como é então seu filho da puta?
Vai tomar ou não?




Pra lá é o leste?

Pra lá é o oeste?

Mas e se eu for sempre para o leste eu não vou parar no...

...oeste?

Sim.

Então quem está errado, aquele que não bebe logo ou aquele que faz que bebe?
Pois é Doc!

A noite poderia ser mais acolhedora comigo, pena. Pena.

Salvar como rascunho.
Publicar postagem.

Omelhoramigodohomeméumagarrfadeuisque,penaqueelanãotenhapatas.
Salt Pennuts.


-por falta de paciência ele bate o telefone.-



ThiagO D.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Mani-festo

A grande questão é: Como?
Meu filho tem fome, minha esposa se prostitui por vaidade pois não ponhe nenhum dinheiro dentro desse espaço que nem consigo chamar de lar.
Eu, aleijado. Totalmente inutil.
Apesar da aparência, são 25 anos de existência que possuo.
Sem pernas mas com minha cabeça bem aqui, só não sei até quando. Há 2 meses eu não sei o que é dormir, hora é pelos lamentos de fome de minha prole, hora por incotestaveis linhas de pensamento que consomem as horas e minha sanidade.
É engraçdo como a impossibilidade fisica aprisiona-me mais e mais em meu proprio corpo. É ela novamente. A mãe, a esposa, a vagabunda, a virgem Maria. Ela chega bebada ou sei lá o que. Nem fala, só geme de dor e novamente sem nenhum trocado.
Vou ter que esmolar novamente.
Estou cagando de medo. Semana passada eu fui espancado em um "farol" de uma rua qualquer por 5 jovens estudantes de alguma faculdade particular que praticavam o famoso "trote". Eu fui trote, eu fui o desafio aos calouros. Quem fizesse eu gritar mais auto. Sádicos adoradores de Chaves & Chapolin malditos. Eu sem duas pernas e eles com inumeros tentáculos.
Meu filho tem 4 anos e já calvo pela desnutrição.
Como?
Como eu farei?
Assaltar?
Tá bom, mas e na hora de correr com o produto do roubo?
Eu sou uma anedota de um Deus embriagado até os santos fios de cabelos.
Decidi então a escrita. A 'liberatria'.
Escreve, escreve durante meses utilizando as madrugadas que eu disponho tanto.
Está pronto.

_O Manifesto daqueles que uivam._
Todo escrito em um rolo de papel higiênico (tá eu sei que piegas, mas era o unico tipo de papel que possuia!).
Passei mais 3 anos de minha vida tentando fazer alguém ler aquilo, no rolo mesmo.
Até que um dia, um aluno de ciência sociais teve interesse na obra.
Tenório, 22 anos.
Fez-me uma oferta. Valor: 1000,00 pratas logo de pronto.
Disse-me que não dispunha do valor integral no momento.
Eu respondi que não levaria o meu rolo consigo, somente com a apresentação da quantia.
Dei o endereço do meu pseudo-lar e marquei no dia seguinte as 11h da manhã.
Após adentrar em meu recinto, disse ao meu filho sobre o dinheiro e sobre o rapaz.
O sorriso de meu pequeno não poderia ser descrito por nenhum dramaturgo de tão magnífico. Era a esperança.
Então a madrugada chegou novamente.
Mas foi diferente aquela madrugada, pois eu tinha sono. Eu nem vi quando eu apaguei. Também não vi quando após três horas de sono profundo eu morri vitíma de um derrame fatal. Também não vi que meu filho não dormiu naquela noite devido a dor da fome. Também não vi seus espamos e seu ataque de alucinação levando-o a comer tudo que tivesse em sua frente, caneta, chinelo.....inclusive até o rolo onde estava escrito o produto arrendido por mil dinheiros...
Então ela chega, nem entra, só dimenciona a cena deploravel...e vai embora.
Enfim....a questão é: Como?



ThiagO D.

sábado, fevereiro 04, 2006

Inspire. (homenagem)


Conto de Chuck Palahniuk


Para quem não conhece ele é o autor do romance Clube da Luta.



Inspire o máximo de ar que conseguir. Essa estória deve durar aproximadamente o tempo que você consegue segurar sua respiração, e um pouco mais. Então escute o mais rápido que puder.
Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre "fio-terra". Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.
Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.
Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.
Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.
Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.
Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.
Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.
Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.
As pessoas na França possuem uma expressão: "sagacidade de escadas." Em francês: esprit de l'escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa....
Enquanto você desce as escadas, então - mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora.
Esse é o espírito da escada.
O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.
Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.
Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer... melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.
Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, na qual o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os faziam gozar melhor. De forma mais intensa.
Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.
Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.
Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.
Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.
Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.
Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos. Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.
O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.
Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.
Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.
O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows.
Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais expesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.
O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmãos mais velho da Marinha escreveu.
No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.
Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.
Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.
O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d'água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.
Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.
Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.
Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando a luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas nais quais você não se preocupa que te pegam.
A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.
Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cú chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.
Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.
Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmão no balé. Ninguém estará em casa por horas.
Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo.
Faço isso de novo, e de novo.
Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cú sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.
E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.
Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.
As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.
Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.
As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás... mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.
Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.
Então... eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cú. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentido a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.
Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.
Ver essa pílula foi o que me salvou a vida.
Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.
Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.
O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.
Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma.
Deus proíba que meus pais vejam meu pau.
Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.
Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre um camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d'água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.
Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.
Você então vê contra o que eu lutava.
Se eu largo, sai tudo.
Se eu nado para a superfície, sai tudo.
Se eu não nadar, me afogo.
É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.
O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na árgua turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.
Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.
Algo sobre o qual nem os franceses falam.
Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos "Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça...," os russos dizem, "Preciso disso como preciso de dentes no meu cú......
Mne eto nado kak zuby v zadnitse.
Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.
Droga... mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.
Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cú. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.
Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.
É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, "Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque." E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.
Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim....
Precisava disso como precisaria de dentes no cú.
Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.
Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.
Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, "Aquela porra daquele cachorro era maluco."
Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, "Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo...."
E então a menstruação da minha irmã atrasou.
Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram mais isso novamente.
Nunca.
Essa é a nossa cenoura invisível.
Você. Agora você pode respirar.

Eu ainda não...

sábado, janeiro 28, 2006

QueDa.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Estrada



Chego em um lugar onde não existe continuidade de lugares.
Daqui, eu não posso voltar(ei). Rebato toda sua critica. Admiro o ifortuno.
Descomum. Des. Des. I.
Eu.
A pé, 34° na cabeça. A historia já é sabida. Depois de uma briga com aquela vaca um corte incisivo em meu abdomem e agora eu carrego todo meu intestino grosso nos braços. Você já tocou algum orgão humano algum dia em sua misera vida?
Pois é, carrego o meu orgão nos braços como se fosse minha prole. O intestino grosso é muito estranho de se tocar, parece uma bexiga cheia de farinha com um pouco d'agua e com a superfice totalmente lubrificada. Escorregadio. Pulsante ainda. Digo que fede muito. Como merda misturada com comida recém-preparada. Calor que calor. E caminho ainda. Eu quero viver, escapar disso e virar piada de um pronto socorro interiorano. Mas se não há carros, imagine hospitais.
Desconfio de que seja umas duas da tarde. Meu cú doe muito. Deve ser a conexão do reto com minha "cria".
Não consigo olhar para o que estou carregando. Enfrente sempre enfrente. Por que?
Tudo se mistura quando você tem certeza da eminência da morte, e não aquela velha historia de "um dia eu vou morrer mesmo". Pensamentos desconexos. "Como você pode desistir?", "você tem que ganhar!".....dificil.
Até que o inusitado vem como uma sedenta alucinação. Vejo. Vejo na beira da estrada um pequeno vidro. Minhas forças de longe não estavm mais comigo. Mesmo assim eu fui ver o objeto reluzente. Foi onde constatei que na verdade eram dois objetos faiscados pelo astro rei.
E eu não estava enganado. Era uma ampola. Morfina. E o melhor, tambem existia uma seringa.
Não fazia idéia de como eu poderia ter encontrado tal alegria no meio do "Nada". Como? Quem muito pergunta muito nega, não é? Então foda-se.
Mas meus braços estavam ocupados tentando salvar minha quase-vida. E agora?
Como eu vou pegar a ampola e a seringa aplicar sem deixar as minhas viceras interligadas cairem como merda (literalmente) no chão?
Mas percebi algo estranho. Sombras. Vultos. E quando eu olho para cima eu compreendo que realmente eu preciso desse opiacio. Abutres ou urubus, nunca sei a diferencia desses vermes com asas. Estavam atiçados pelo cheiro que eu estava exalando.
O ataque era uma questão de tempo. Já ouvi relatos de pessoas baleadas jogadas no mato proximo a estradas, que perderam seus olhos, pois essas aves atacam primeiro a visão da vitima. Assim como alguem come primeiro a azeitona de um Martini. A dor deve ser horrivel. Mas do que eu estou pensando...estou com um rombo na barriga e com quase tudo de fora. Dor...humpf!
Decidi morrer.
Deitei de barriga para o céu ao lado da morfina.
A quem eu tentava enganar? Onde eu conseguiria chegar nesse estado?
Era uma questão de sorte morrer logo.
Peguei e preparei a extra-dose. Injetei não sei porque na bunda. Nadega esquerda.
E a viagem veio e me carregou. Calor, mas um calor maternal senti naquele momento.
Mas infelizmente estava lucido ainda. Lucido o suficiente para ver o primeiro Carcará pousar em meu peito. E o segundo. E o terceiro...
Eles bicavam, tiravam um pedaço, outro e mais outro. Eu percebi quando eles chegaram no estomago. Um deles furou e caiu para trás por causa do suco gastrico.
E minha loucura aumentava a cada orgão degustado.
Até que encarei um urubu nos olhos, ele era estranho. Ele tinha um pouco de sardas.
E foi dele o golpe fatal. Com uma bicada direta no coração. Antes do fim ele me olhou de novo, e eu juro, eu o vi chorar sobre meu colo e coberto pelo

meu sangue e degetos vicerais...

ThiagO D.

terça-feira, janeiro 24, 2006

FIM.

-Esse lado para si.-

"O desastre faz parte da minha evolução natural rumo à tragédia e à dissolução.
Estou rompendo meus vínculos com a força física dos bens materiais,porque só destruindo a mim mesmo vou descobrir a força superior do meu espírito.
Arrebente esse lacre, quebre a saida de esgoto intestinal do seu cérebro, exploda sua vida, cate os restos dos restos e sinta a verdadeira liberdade.
Não sou nem Ômega nem Alpha, cada dia menos flor mais espinhos, aí sim serei ninguém como você!"
De que serve essa merda de vida? De que serve essa merda de realidade?
Você nem quer saber onde moro, o que sinto, como alimento meus filhos ou como vou pagar o médico se ficar doente, e sim, sou frouxo, chato e estúpido, mas ainda estou sob a sua responsabilidade...humpf...o mundo não tem salvação...e nem precisa ser salvo.
Não se engane, você é um anormal assim como sou tambem...Você já cortou sua pele até sangrar? Bebeu o proprio sangue e se divertiu com isso? Passar a noite de bar em bar e beber tudo o que o seu corpo já não aguenta ou nunca aguentou?
Vá enfrente...destrua a si mesmo, é a unica saida, somos a escória, termine com isso por que...
...Eu terminarei isso logo, logo!
-alguém que você já foi.-
C'est votre vie!


extrémité.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Quarta's Black Nights

E lá estava eu...
Tentando consumir algo. Quarta-feira, nada mais do que isso.
E ao cinema eu me arrastei.

Sessão:

Um café era preciso, para o paladar e para uma subita lucidez.

Mulher.

Mas que estilo, lindissima... oculos escuro no hall do cinema....perfeito.

- Por favor, o açucar? - e foi a mim essa pergunta. É engraçado como tudo vem ao meu encontro.

Entreguei o açucar, mas ai percebi algo inusitado. Ela era cega!

Mulher fascinante, um papo gosotso igualmente como seu corpo. Mas eu não podia deixar de fazer a pergunta fundamental:

- Escuta, estamos conversando já alguns minutos...mas não sei o seu nome.- ela sorri com o meu pedido de indentificação.

- Monique, querido.

- Então você pode me chamar de Bartô, bom Monique, eu queria te fazer uma pergunta...eu percebi a sua condição, e confesso que me deixa um pouco intrigado em saber por que você vem ou veio até o cinema.

Silêncio.

- Querido Bartô... percebi que você está curioso e não me julgando. Isso é muito bom. O que acontece é que eu não tenho as mesmas referências que você, eu nasci cega. E estar no cinema é só sentir no meu ponto de 'vista'. Odeio ir em uma sala vazia para ver um filme por exemplo. A trilha sonora, as falas (que inclusive eu tenho abilidades com varias linguas, só não assisto filmes orientais por motivos obvios) e principalmente o publico da sessão, tudo isso faz parte de um contexto que me transmiti o que eu quero sentir, admito um pouco de vicio nisso. - ela me brinda com um lindo sorriso no ponto final.

E a sessão começa.

Me senti um jovem novamente. Peguei em sua mão e ela retribue com a firmeza de seu toque.

Então a beijei.

Ela sussurra algo sobre o apartamento dela. Minha aceitação veio de orelha a orelha. E embarcamos nas ruas desgovernadas em busca de um apê que eu nem imagino como seja.

A porta se abre, assim como a minha percepção. Tudo era desconexo, estranho......como?

Um poster. 1984.

Um grafite na parede. Uma pin-up dos anos 50.

Tudo tinha tanta ligação com o olhar. Não-compreenção.

Eu precisava. Então com cuidado saquei meu porta-maldição pequenino. Mas ela escutou, e questionou-me sobre o que estva fazendo.

- Monique, eu preciso tomar, preciso. Eu preciso sentir mais.

- O que? O que você precisa fazer?

- Tá, eu tenho aqui um Budha-I-Can....você não deve saber do que se trata, mas isso é grosseiramente conhecido como um tipo de LCD. E eu preciso tomar porque essa situação é chave para mim. Seu apê, você, tudo.

- Eu quero também. Sempre tive curiosidade!

Silêncio viceral.

Como eu posso fornecer acido a uma mulher cega de nascença?

Ma eu o fiz. Despejei dua gotas debaixo de sua lingua perfeita, e partir para 5 na minha não tão perfeita ssim.



... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...


Sexo febril. Passo pelos os olhos dela. Agora eu sou ela!

Eu enchergo o meu querido Bartô. Ele é feio. Muito, muito.

Enchergo também a minha vida como um inteiro. E vejo que sempre vi, sempre encherguei.

Quem sou? A sensação de outra a mim entristece-me. Cores, será que é isso que dizem? Cores, uma me trás um calor, mas não é na pele que sinto isso....calor....outra me trás frio, não me arrepia.....frio.

E finalmente uma que eu sempre encherguei, o nada......a ausencia dessas sensações que tive.

Quem é?

Ele já gozou.....e fundo... senti como se fosse me furar.....estou derrubada. Que mal gosto.

Acabou.


Ele foi embora. E eu também, apesar de ter ficado.

Na manhã seguinte não restou mais do que um cheiro de trepada no meu quarto e uma febre de

39 graus...




ThiagO D.